Prefeitura de Atibaia promoveu palestra sobre machismo para Forças de Segurança
25 de março de 2022 | 15h59

Prefeitura de Atibaia promoveu palestra sobre machismo para Forças de Segurança

Dentro da programação “Mês da Mulher Atibaia”, evento abordou as relações entre violência e masculinidade do ponto de vista da psicologia

O que leva um homem a se manter em um comportamento machista e violento? Esse foi o mote da palestra proferida pelo neuropsicólogo Gilsom de Castro Maia no Cine Itá Cultural na manhã de quarta-feira (23). Direcionada aos agentes de Segurança Pública, o evento, que faz parte da programação especial da Prefeitura de Atibaia para o Mês da Mulher (programação completa AQUI), abordou as relações entre violência e masculinidade do ponto de vista da psicologia.

Uma realização do Departamento da Mulher da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (SADS), em parceria com a Secretaria Municipal de Segurança Pública, Guarda Civil Municipal e Polícia Militar, a iniciativa contou com a participação de agentes de segurança de Atibaia, Arujá, Bragança Paulista, Guarulhos, Jundiaí, São Paulo e Socorro, discorrendo sobre a fragilização masculina provocada pelo machismo.

O palestrante, que trabalha com grupos reflexivos para homens autores de violência doméstica, falou sobre como a cultura do machismo incentiva os homens a perseguir um ideal inalcançável de masculinidade que esconde e mascara os sentimentos, levando-os a se engajar em padrões de vida autodestrutivos caracterizados pela agressividade, impulsividade e comportamentos de risco.

“Provedor principal, heterossexual, viril, sem sentimentos. Essa construção rígida do que é ser homem tem impactos negativos na vida, educação e saúde dos meninos, que acabam encontrando na violência uma forma de expressão. Quando estão tristes, com raiva, quando sentem medo ou insegurança, é pela violência que meninos e homens expressam o que sentem”, pontuou o psicólogo.

Masculinidade hegemônica
De acordo com dados do movimento ElesPorElas – HeForShe da ONU Mulheres, 66,5% dos homens não conversam com os amigos sobre medos e sentimentos, 45% não gostam de se sentir responsáveis pelo sustento financeiro da casa, 45,5% gostariam de se expressar de modo menos duro ou agressivo e 54% demonstraram vontade de ter mais liberdade para explorar talentos ou opções de carreira consideradas pouco usuais, contudo, não o fazem por medo de serem julgados como frouxos ou pouco ambiciosos.

Além da dificuldade de colocar emoções e sentimentos em palavras, condição chamada alexitimia, esse padrão enrijecido e machista de gênero tem consequências perversas: mais expostos ao consumo excessivo de álcool e drogas, eles se suicidam quase quatro vezes mais do que as mulheres, segundo dados do Mapa da Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), e são os que mais morrem pela violência, dez vezes mais do que as mulheres de acordo com o Atlas da Violência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O machismo fragiliza a todos e discuti-lo abre a possibilidade de ressignificar a masculinidade. “É um tema complexo e delicado, que gera muitas discussões acaloradas, mas acredito que a gente precisa falar sobre violência de gênero para poder gerar mudanças no comportamento do indivíduo, principalmente dos homens. Trazendo para a consciência o que está no inconsciente, a gente consegue fazer mudanças comportamentais e psíquicas”, resume o neuropsicólogo.

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